por Edu Fernandes
Spoilerômetro: • (?)
Famílias podem ser formadas por pessoas de características tão distintas que parecem ser o núcleo de personagens perfeito para a dramaturgia. Com famílias em cena, garante-se a relação entre os personagens, mas também há uma grande liberdade de temas que as tramas paralelas podem abordar.
Tudo que Deus Criou usa os parentes de Miguel Arcanjo (o estreante Paulo Philippe) para falar de alguns assuntos recorrentes no cinema brasileiro e tocar em tópicos quase esquecidos em nossos filmes.
Miguel é um garoto de programa, mas em sua casa não se sabe de sua carreira. A mãe (Maria Gladys, de A Alegria) ficou cega por causa do diabetes e sua aposentadoria garante o sustento de todos. A irmã dele (Guta Stresser, de Vingança) é casada com um homem imprestável (Claudio Jaborandy, de Amor?), que a maltrata e constantemente estupra Miguel.
Tudo que Deus Criou mostra a irregularidade que se permite a um cineasta estreante (toda experiência de André da Costa Pinto foi formada em curtas-metragens). Há diálogos didáticos e cenas que poderiam ser mais econômicas. Por outro lado, o realizador paraibano compensa o público com algumas sequências fenomenais, com enquadramentos inspirados e uma potente direção de atores.
Do outro lado do oceano, o português João Canijo constrói um melodrama com tempero rodrigueano em Sangue do Meu Sangue. O filme explora os desafios de Márcia (Rita Blanco, de Filme do Desassossego) em manter aunidade familiar.
O filho Joca (Rafael Morais, de Como Desenhar um Círculo Perfeito) está envolvido com a criminalidade e a filha Cláudia (Cleia Almeida, de Mistérios de Lisboa) mantém um relacionamento com um homem casado (Marcello Urgeghe, de Cisne), apesar de estar noiva. Ivete (Anabela Moreira, de Mal Nascida), irmã de Márcia, é uma solteirona que planeja uma operação plástica na esperança de derrotar a solidão.
Sangue do Meu Sangue é um grande filme por mostrar todos seus conflitos em camadas sobrepostas. Há diversas cenas em que diálogos distintos são travados no mesmo plano. Por vezes os diferentes grupos de personagens estão em cômodos separados. Em outras oportunidades, as conversas distintas acontecem em planos de ação variados, uma na frente da tela e outra no fundo do cenário.
O som ambiente caótico aumenta a tensão no espectador. Música incidental, ruído de televisão, briga dos vizinhos e outros ruídos se somam a massa sonora e forçam a imersão do espectador nos conflitos apresentados.
Tudo que Deus Criou
Roteiro e Direção: André da Costa Pinto
Elenco: Paulo Philippe, Guta Stresser, Maria Gladys, Paulo Vespúcio, Cláudio Jaborandy, Letícia Spiller
Duração: 105 minutos
País: Brasil
Nota: 7
Sangue do Meu Sangue
Roteiro e Direção: João Canijo
Elenco: Rafael Morais, Rita Blanco, Cleia Almeida, Anabela Moreira, Marcello Urgeghe , Teresa Madruga, Francisco Tavares
Duração: 140 minutos
País: Portugal
Nota: 9
Tudo que Deus Criou e Sangue do Meu Sangue foram vistos no Olhar de Cinema.
Cine Dude
Seu amigo no cinema
segunda-feira, 4 de junho de 2012
domingo, 3 de junho de 2012
Olhar de Cinema: Mirada Paranaense
por Edu Fernandes
Spoilerômetro: • (?)
Acompanhe a cobertura completa do evento aqui.
Entre Cá e Lá
Parte da série Caminhos (SESCTV), o filme mostra a rotina de um grupo de garotas que precisam atravessar um rio para chegar à escola. O documentário apresenta as personagens e a situação quase que exclusivamente com as imagens. Mais para o final, há a fala de uma das jovens sobre seus anseios amorosos e sobre a amizade com as outras garotas.
O maior mérito do curta está em conseguir abdicar do verbo por tanto tempo sem perder o dinamismo. O uso do cenário na tela funciona e cria a impressão de que a duração é menor.
Direção: Heloísa Passos
Roteiro: Beatriz Seigner
Elenco: -documentário-
Duração: 18 minutos
País: Brasil
Nota: 7
In
O relato de um abuso sexual infantil é acompanhado por imagens de arquivo e cenas construídas especialmente para o filme. Por se tratar de um tema tão delicado e dramático, a opção estética faz sentido. A sobriedade da protagonista impressiona e a importância de tratar desse sério assunto é louvável.
O roteiro consegue equilibrar a narração do terrível ocorrido com o compartilhamento dos sentimentos da depoente e da família. Tudo isso sem apelar para emotividade barata ou fetiches.
Direção: Bruno de Oliveira
Roteiro: Bruno de Oliveira, Débora Vecchi
Elenco: -documentário-
Duração: 10 minutos
País: Brasil
Nota: 8
O Descarte
A animação é uma grande mistura de referências e linguagens. Para realizadores e apreciadores do gênero (além de quadrinistas) é um prato cheio. No entanto, há momentos em que parece estar diante da apresentação do portfólio dos animadores.
A história começa em uma cena de sexo em que a mulher tenta esfaquear o parceiro, o que imediatamente remete a Instinto Selvagem (1992). Depois há momentos em que somos levados aos universos de Tarantino, Zack Snyder e até toques de filme noir.
O roteiro consegue uma reviravolta final para mostrar que a dramaturgia do curta não é apenas um suporte para o virtuosismo.
Direção: Carlon Hardt, Lucas Fernandes
Roteiro: Carlon Hardt, Lucas Fernandes, Vânia Mezzadri
Elenco: -animação-
Duração: 17 minutos
País: Brasil
Nota: 7
Ovos de Dinossauro na Sala de Estar
O melhor curta do programa apoia-se sem medo em sua excêntrica protagonista. Ragnhild Borgomanero é uma alemã de 77 anos que vive no Brasil. Ela e seu finado marido italiano têm a maior coleção privada de fósseis da América Latina.
O filme permite que o relato dela tome as rédeas. Para deixá-la brilhar, a câmera fica estática e o cenário da casa onde Ragnhild vive complementa a aura inusitada que permeia o curta.
Roteiro e Direção: Rafael Urban
Elenco: Ragnhild Borgomanero
Duração: 12 minutos
País: Brasil
Nota: 8
Se Você Deixar o Coração Bater sem Medo
O filme experimental narra a história de amor entre duas mulheres. Há o relato de uma delas enquanto a câmera passeia pelo cenário urbano, sem preocupação de sintonizar imagem e sons.
Por se tratar de uma narrativa envolvente, fica a vontade de se realmente visualizar os acontecimentos contados, ao contrário do que acontece com In (ver acima). Dessa forma, o curta com ares de videoarte tem potencial de frustrar a plateia.
Roteiro e Direção: Tamíris Spinelli
Elenco: Bárbara Felice, Ana Beatriz Figueiredo, Maria Carolina Jardim
Duração: 7 minutos
País: Brasil
Nota: 4
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Entre Cá e Lá
Parte da série Caminhos (SESCTV), o filme mostra a rotina de um grupo de garotas que precisam atravessar um rio para chegar à escola. O documentário apresenta as personagens e a situação quase que exclusivamente com as imagens. Mais para o final, há a fala de uma das jovens sobre seus anseios amorosos e sobre a amizade com as outras garotas.
O maior mérito do curta está em conseguir abdicar do verbo por tanto tempo sem perder o dinamismo. O uso do cenário na tela funciona e cria a impressão de que a duração é menor.
Direção: Heloísa Passos
Roteiro: Beatriz Seigner
Elenco: -documentário-
Duração: 18 minutos
País: Brasil
Nota: 7
In
O relato de um abuso sexual infantil é acompanhado por imagens de arquivo e cenas construídas especialmente para o filme. Por se tratar de um tema tão delicado e dramático, a opção estética faz sentido. A sobriedade da protagonista impressiona e a importância de tratar desse sério assunto é louvável.
O roteiro consegue equilibrar a narração do terrível ocorrido com o compartilhamento dos sentimentos da depoente e da família. Tudo isso sem apelar para emotividade barata ou fetiches.
Direção: Bruno de Oliveira
Roteiro: Bruno de Oliveira, Débora Vecchi
Elenco: -documentário-
Duração: 10 minutos
País: Brasil
Nota: 8
O Descarte
A animação é uma grande mistura de referências e linguagens. Para realizadores e apreciadores do gênero (além de quadrinistas) é um prato cheio. No entanto, há momentos em que parece estar diante da apresentação do portfólio dos animadores.
A história começa em uma cena de sexo em que a mulher tenta esfaquear o parceiro, o que imediatamente remete a Instinto Selvagem (1992). Depois há momentos em que somos levados aos universos de Tarantino, Zack Snyder e até toques de filme noir.
O roteiro consegue uma reviravolta final para mostrar que a dramaturgia do curta não é apenas um suporte para o virtuosismo.
Direção: Carlon Hardt, Lucas Fernandes
Roteiro: Carlon Hardt, Lucas Fernandes, Vânia Mezzadri
Elenco: -animação-
Duração: 17 minutos
País: Brasil
Nota: 7
Ovos de Dinossauro na Sala de Estar
O melhor curta do programa apoia-se sem medo em sua excêntrica protagonista. Ragnhild Borgomanero é uma alemã de 77 anos que vive no Brasil. Ela e seu finado marido italiano têm a maior coleção privada de fósseis da América Latina.
O filme permite que o relato dela tome as rédeas. Para deixá-la brilhar, a câmera fica estática e o cenário da casa onde Ragnhild vive complementa a aura inusitada que permeia o curta.
Roteiro e Direção: Rafael Urban
Elenco: Ragnhild Borgomanero
Duração: 12 minutos
País: Brasil
Nota: 8
Se Você Deixar o Coração Bater sem Medo
O filme experimental narra a história de amor entre duas mulheres. Há o relato de uma delas enquanto a câmera passeia pelo cenário urbano, sem preocupação de sintonizar imagem e sons.
Por se tratar de uma narrativa envolvente, fica a vontade de se realmente visualizar os acontecimentos contados, ao contrário do que acontece com In (ver acima). Dessa forma, o curta com ares de videoarte tem potencial de frustrar a plateia.
Roteiro e Direção: Tamíris Spinelli
Elenco: Bárbara Felice, Ana Beatriz Figueiredo, Maria Carolina Jardim
Duração: 7 minutos
País: Brasil
Nota: 4
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